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29.03.2014 • 10h02

Cura para o Ébola
em anti-corpos

Quatro casos foram confirmados em Conacri, capital da Guiné.

Por REDE ANGOLA.
Reuters
Laboratório de pesquisa sobre a Ébola [ Reuters ]

Quatro casos do vírus Ébola foram confirmados em Conacri, os primeiros da capital da Guiné, onde a epidemia estava restringida ao sul do país, afirmam fontes médicas. Os doentes foram imediatamente internados em centros de isolamento para evitar a propagação do vírus, contagioso e altamente letal, informou o Voz da América.

Conforme noticiado pelo Info, a propagação do vírus Ébola em Conacri, cidade de cerca de dois milhões de pessoas, marca uma escalada do surto na Guiné, uma das nações mais pobres do mundo, apesar de possuir ricos depósitos de bauxita e minério de ferro que atraem as empresas internacionais de mineração.

Vinte laboratórios e sites de pesquisa pelo mundo, incluindo Canadá, Japão, Israel, Uganda e os Estados Unidos da América, estão a trabalhar em simultâneo para desenvolver anti-corpos humanos contra o vírus do Ébola, que até então não tem cura efectiva.

Os anti-corpos são as principais proteínas do sistema imunitário que o corpo produz naturalmente para combater doenças quando expostos a uma infecção pela primeira vez.

Cura nos anti-corpos

Ainda segundo o Voz da América, as experiências de injecção em animais, provam que as proteínas do sistema imunitário que atacam o Ébola têm uma taxa alta de cura, explica Erica Ollmann Saphire, uma imunologista do Instituto de Pesquisa em La Jolla, Califórnia.

“Fizemos uma série de experiências em primatas não-humanos e se conseguimos ter o anti-corpo dentro do seu sistema em 48 horas após a exposição então conseguimos salvar quase todos os animais.

E mesmo que se espere quatro a cinco dias – imagine-se alguém que não saiba que esteve exposto – espera-se esses quatro ou cinco dias para que aquele animal desenvolva completamente a febre hemorrágica, consegue-se salvar mais do que metade”, explicou Erica Ollmann Saphire.

Sintomas e tratamento

A doença, contraída através de bactérias infectadas e carne de caça contaminada, rapidamente causa severas dores de cabeça, febre e dores nos músculos antes que os pacientes desenvolvam sintomas como vómitos, diarreia e hemorragia.

Os Estados Unidos contribuíram com USD 28 milhões para a pesquisa que deverá determinar que anti-corpos são os mais eficazes no combate a este vírus mortal. Um tratamento de sucesso do Ébola poderá conter uma mistura de fortes anti-corpos.

Erica Ollmann está a dirigir a pesquisa, que está a ser coordenada no Instituto da Califórnia. Ela afirma que normalmente levam-se muitos dias para que o corpo produza anti-corpos contra uma infecção, tempo esse que os pacientes do Ébola não têm.

“É um meio para tornar alguém imediatamente imune. E a ideia é termos esses anti-corpos através de células doadas por sobreviventes ou através de ratos imunizados e nós podemos humanizar os anti-corpos. Podemos simplesmente agarrar nos que estão a crescer através da cultura de células e dar a um paciente para protegê-lo de uma infecção que está incubada nele e que só sentirá dentro de quatro dias”, justifica a investigadora.

Saphire diz que um número limitado de anti-corpos, ainda não testados em humanos, foi enviado para a Guiné para ajudar as vítimas do Ébola.

O esforço global para desenvolver um tratamento de anti-corpos contra o Ébola é “singular no mundo da virologia”, defende Saphire.

No estágio inicial, o Ébola pode ser difícil de distinguir de uma outra doença endémica em África, como a malária ou a cólera. Por isso testes de diagnóstico também foram enviados para a Guiné Conacri e países vizinhos para ajudar a detectar e reforçar o tratamento daqueles que foram infectados pelo vírus.

Outras informações sobre o Ébola e a epidemia na Guiné aqui no Rede Angola.

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