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23.04.2015 • 06h00 • atualizado em 21.04.2016 às 11h34

Igreja da Sagrada Família

O projecto da igreja inaugurada em 1964, e pintada originalmente de branco, foi também assinado pelo arquitecto Sabino Correia.

Por Pedro Cardoso.
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A arquitectura moderna de Luanda da segunda metade do século XX é um património de valor incalculável. Num catálogo que inclui o conjunto do largo do Kinaxixi e edifícios como o do Ministério da Construção, sobressai, em jeito de oração, a Igreja da Sagrada Família.

Num dos corações palpitantes da capital, ponto de convergência de artérias importantes, a Igreja da Sagrada Família impõe-se em reflexão e desafio. Paz, silêncio, tranquilidade, em contraste com o caos que muitas vezes se instala lá fora. Quando passar pelo templo, na rotina apressada de Luanda, aproveite as longas pausas do tráfico para vê-la com olhos diferentes. Contemple-a.

A história da igreja é recente. A Sagrada Família soprou as cinquenta velas em 12 de Abril do ano passado. Com uma torre sineira emblemática, foi construída em homenagem aos cinquenta anos da ordenação do primeiro arcebispo de Luanda, Dom Moisés Alves de Pinho. Num artigo do Novo Jornal, um dos seus arquitectos, António de Sousa Mendes, relembra que o arcebispo foi também “decisivo na escolha da sua personalidade arquitectónica”. “Lembro-me de receber reacções muito positivas sobre a obra, e até de algumas críticas, também favoráveis, publicadas em jornais”, recorda.

O projecto da igreja inaugurada em 1964, e pintada originalmente de branco, foi também assinado pelo arquitecto Sabino Correia. Representa uma geometria única. O interior é amplo e luminoso. Duas aberturas laterais ajudam à circulação das correntes de ar nos dias quentes, uma das características da chamada Arquitectura Tropical, que teve em Luanda um dos seus laboratórios preferenciais.

(Abrimos parênteses)

Esta corrente teve como impulsionadores jovens arquitectos portugueses que experimentaram em Angola e Moçambique, sobretudo, uma nova forma de idealizar edifícios e a urbe. Cidades como Luanda, Beira ou Maputo, começaram a ser traçadas com base em espaços amplos, funcionais, abertos à tecnologia. Esta “revolução”, como lhe chamam especialistas na matéria, apoiava-se no passo humano como medida, em jogos de volumes, formas geométricas, azulejos, murais. Interconectando espaços privados e comuns e adaptava-se ao clima dos trópicos, protegendo os habitantes das cidades do sol e das chuvas repentinas.

(Fechamos parênteses)

Os exemplos de Arquitectura Tropical em Luanda são muitos, e a igreja da Sagrada Família é referência permanente em estudos e artigos nacionais e internacionais sobre a matéria. O  edifício é, inclusivamente, de estudo obrigatório nos cursos de arquitectura dos estudantes luandenses.

Apesar do seu valor arquitectónico não há que perder o norte: este é um lugar de fé e devoção. E também neste aspecto a Sagrada Família é um local muito especial. “Esta foi a primeira igreja onde o Papa João Paulo II entrou quando visitou Angola, em 1992. Foi o ponto mais alto [da história do templo], não por ser Papa, mas por ser um Papa que agora é santo. Então, podemos dizer que um santo passou por aqui”, recorda o padre Joaquim Eugénio Lumingu, responsável pela igreja, numa reportagem publicada em África 21. E revela que também as comunidades imigrantes, cada vez mais volumosas por estas bandas, fizeram da Sagrada Família o seu templo de eleição. Portugueses, brasileiros, franceses, acorrem a esta igreja, em oração comum. A um tal ponto que o padre Lumingu já pensa em rezar a missa em outras línguas.

Este carácter internacional vive em cada poro da igreja, que já foi administrada por três padres portugueses, dois brasileiros e dois angolanos. A arquitectura e o significado religioso da Sagrada Família faz deste ponto frenético e tão emblemático de Luanda um lugar de todo o mundo.

Como ir:

A Igreja da Sagrada Esperança fica no Maculusso, Luanda, perto do Hospital Militar. É um dos pontos nevrálgicos da capital angolana.

Igreja Sagrada família

A igreja cumpriu cinco décadas no ano passado © Ampe Rogério/ RA
No meio de uma encruzilhada de vias importantes de Luanda, a Sagrada Família é um ponto de alívio no tráfico intenso da zona © Ampe Rogério/ RA
Pelo altar da Sagrada Família passa, segundo o padre do templo, a maior parte dos noivos da capital © Ampe Rogério/ RA
A Igreja foi arquitectada para receber muita luz exterior, uma das características do Moderno Tropical © Ampe Rogério/ RA
Ampe Rogério/ RA
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